segunda-feira, 16 de julho de 2012

E agora, José?


A sensação que se tem quando a gente não sabe o que fazer com a vida é uma das piores. Acho que só perde para a sensação de querer comer algo específico e não encontrar aquilo na geladeira. E essas duas sensações se complementam, ainda por cima. Por que como que você vai descobrir o rumo da tua vida estando com fome?

Costumo sonhar demais. O que mais faço da vida é pensar “ah, como eu queria ser que nem Fulano...”. Tento botar a culpa em alguém, mas ela acaba caindo sempre em cima de mim mesma. Quem mandou eu ter tantos ídolos em coisas que eu gosto de fazer – e gostaria de fazer melhor, muito melhor?
E fica aquela coisa, deita pra dormir, pensa no futuro, faculdade que não dá dinheiro, mestrado, doutorado, como vou me sustentar enquanto isso, quero sair da casa dos meus pais, quero fazer algo nesse meio tempo, e depois o que eu faço, quero ser feliz depois, quero quero quero quero, e se eu não conseguir, e aí, como é que fica?



Preferia que não ficasse?
Por mim não ficaria.

Se eu ainda gostasse de fazer mais coisas, mas eu nem ao menos sei lavar a louça sem ter um plano mental de recompensas. Só lavo porque depois posso voltar a usar o computador, assistir série, comer algo que eu quero muito, pintar as unhas. Toda vez que tento fazer algo sozinha eu encontro uma placa de “velocidade máxima: 0,5km/h”. Devagar quase parando, mais parando que devagar. Preciso ter estímulo sempre, ah, to com nota baixa, estudar pra quê, ah, é verdade, se eu não estudar perigo repetir de novo, quero escrever sempre, não sei escrever sempre por mim só, já tentei ter blogs sozinha e nunca funcionou a longo prazo, tenho que escrever pra cumprir uma agenda e não decepcionar os outros. E é assim que vai indo, sempre fazendo as coisas pra não deixar os outros no extremo ou me deixar no extremo.

Daí eu vejo gente que quer as mesmas coisas que eu, com bem mais idade que eu e que não chegou nem ao terço do que eu quero pra mim. Fico sem saber, sou eu que sonho demais ou eles que são incompetentes ou a vida que é irritante com todo mundo mesmo? Sabe, é gente que tentou tentou tentou e ainda não conseguiu, dá pra ver que essas pessoas querem muito. Sempre dão um jeito por aí de meter na minha cabeça que a chave do sucesso é o esforço, mas não. Eu não sou mais esforçada que nenhuma dessas pessoas. Pretendo ser, queria ser. Não sei se vou conseguir. Só queria não acabar que nem elas.



Se minha cabeça fosse um HD eu a configuraria para prestar atenção só nos planos a curto prazo, tipo passar de ano, varrer meu quarto, tirar dez no trabalho de história, comprar número x de coisas com o dinheiro que eu tenho, fazer meu blog vingar, coisas assim, no máximo pra daqui a um, dois anos. Problema é que sempre que a internet cai peço ajuda ao meu pai, e na vida não quero ter que gritar pra ele vir me ajudar sempre. Ô pai, não passei no concurso, não consegui sair de casa, não escrevi a melhor dissertação de mestrado dos últimos tempos, vem cá me ajudar, fazendo favor?

E ainda sou metida a aconselhar os amigos. Nisso  não tenho dúvidas da minha capacidade, a não ser que seja uma coisa assim, bem grande mesmo. Acho que sou boa conselheira. É só me dizer a situação que já traço um plano de vida pra pessoa. É que de tanto treinar comigo, sei o que pode dar errado ou não.

O problema é sempre eu, o inferno nunca são os outros.

2 comentários:

Nina disse...

Eu não sou muito diferente de você, porque mantenho o mesmo costume de planejar tudo e ficar enraivecida quando não dá certo ou quando não me encontro em determinado meio. É muito complicado - e eu quero coisas simples para a minha vida, somente o necessário, preciso de muito não.
Menina, teu blog tá um arraso. Investe! Abraços.

Cláudia disse...

Me identifiquei com várias coisas nesse post. Você escreve muito bem! Por favor, escreva mais coisas nesse blog, se quiser eu faço um cronograma pra você... (ok que eu também não tenho sido muito exemplar com o meu, até escrevi algumas coisas, mas foi tudo pelos cocos, só pra cumprir uma espécie de prazo mental ainda não formulado). Um comentário só não é suficiente pra dizer o que eu realmente queria dizer sobre o que escreveu, sobre essa situação que eu também vivencio cotidianamente entre outras coisas mais. Se você não se importar, e se eu não procrastinar, vou escrever um pequeno (ou não) texto aqui nos comentários sobre isso. Depois, porque agora eu tenho que sair...

 

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