São quase 10 da noite e ainda não tomei banho. Daqui a uma hora ou mais vai começar a passar Gabriela. Tenho um pote com leite condensado me esperando lá embaixo. Os dias andam ensolarados, o céu o azul e bonito. Um calor bom de se sentir. Calor que não faz suar, mas faz ligar o arcondicionado pra dormir.
Estou há mais de um mês em casa por causa da greve das instituições federais. Nas primeiras duas semanas foi legal. Tipo férias e tal. Tava cansada de me cansar, só pensava em estudos de segunda a segunda. Mas agora já não aguento mais.
Comecei a ler um livro que me pareceu bem chick-lit e levinho, mas não consegui passar da página 98. É o terceiro livro que largo esse ano. Faz tempos que não leio um romance bom, sabe? Li Os 13 Porquês há tempos, foi o último romance legal que li, e é de fato foda. Não sei qual outro vou pegar quando for à biblioteca essa semana. Acho que um da Thalita Rebouças, mas são tão fininhos que leio em um dia.
Não aguento mais minha mãe vindo no meu quarto a cada cinco minutos. E ainda fica dando bronca no meu irmão. Quer dar bronca nele, o chame, né. Que não sou obrigada a ouvir a culpa dos outros.
Tenho cinquenta reais pra gastar, vou usar pra cortar o cabelo que já devia ter sido cortado há meses. Minha avó me deu um dinheiro no meu aniversário que meus pais trataram de usar nas despesas. Tô achando bacana, tô achando legal.
Não fui na casa da minha avó no dia combinado: íamos cozinhar, ela ia me ensinar a fazer bolo. Ficou super chateada. Recebi o livro que minha amiga me mandou da Inglaterra na casa dela, amanhã vou lá buscar. Tô com medo do carão e arrependida por não ter ido. Muito, muito arrependida.
Pra passar o tempo, vejo Dexter. Comecei há uma semana e pouco e já tô na quarta temporada. Só que é lógico que meus pais resolveram ver junto comigo. Daí quando vejo sem eles, rola aquele caô. Foda. Apesar de tudo, é uma série ótima, puro amor mesmo. Adorei.
E assim tem sido meus dias. Iguazinhos uns aos outros.
terça-feira, 31 de julho de 2012
tic tac tic tac
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Blanca Aleks
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segunda-feira, 16 de julho de 2012
E agora, José?
A sensação que se tem quando a gente não sabe o que fazer com a vida é uma das piores. Acho que só perde para a sensação de querer comer algo específico e não encontrar aquilo na geladeira. E essas duas sensações se complementam, ainda por cima. Por que como que você vai descobrir o rumo da tua vida estando com fome?
E fica aquela coisa, deita pra dormir, pensa no futuro, faculdade que não dá dinheiro, mestrado, doutorado, como vou me sustentar enquanto isso, quero sair da casa dos meus pais, quero fazer algo nesse meio tempo, e depois o que eu faço, quero ser feliz depois, quero quero quero quero, e se eu não conseguir, e aí, como é que fica?
Preferia que não ficasse?
Por mim não ficaria.
Se eu ainda gostasse de fazer mais coisas, mas eu nem ao menos sei lavar a louça sem ter um plano mental de recompensas. Só lavo porque depois posso voltar a usar o computador, assistir série, comer algo que eu quero muito, pintar as unhas. Toda vez que tento fazer algo sozinha eu encontro uma placa de “velocidade máxima: 0,5km/h”. Devagar quase parando, mais parando que devagar. Preciso ter estímulo sempre, ah, to com nota baixa, estudar pra quê, ah, é verdade, se eu não estudar perigo repetir de novo, quero escrever sempre, não sei escrever sempre por mim só, já tentei ter blogs sozinha e nunca funcionou a longo prazo, tenho que escrever pra cumprir uma agenda e não decepcionar os outros. E é assim que vai indo, sempre fazendo as coisas pra não deixar os outros no extremo ou me deixar no extremo.
Daí eu vejo gente que quer as mesmas coisas que eu, com bem mais idade que eu e que não chegou nem ao terço do que eu quero pra mim. Fico sem saber, sou eu que sonho demais ou eles que são incompetentes ou a vida que é irritante com todo mundo mesmo? Sabe, é gente que tentou tentou tentou e ainda não conseguiu, dá pra ver que essas pessoas querem muito. Sempre dão um jeito por aí de meter na minha cabeça que a chave do sucesso é o esforço, mas não. Eu não sou mais esforçada que nenhuma dessas pessoas. Pretendo ser, queria ser. Não sei se vou conseguir. Só queria não acabar que nem elas.
Se minha cabeça fosse um HD eu a configuraria para prestar atenção só nos planos a curto prazo, tipo passar de ano, varrer meu quarto, tirar dez no trabalho de história, comprar número x de coisas com o dinheiro que eu tenho, fazer meu blog vingar, coisas assim, no máximo pra daqui a um, dois anos. Problema é que sempre que a internet cai peço ajuda ao meu pai, e na vida não quero ter que gritar pra ele vir me ajudar sempre. Ô pai, não passei no concurso, não consegui sair de casa, não escrevi a melhor dissertação de mestrado dos últimos tempos, vem cá me ajudar, fazendo favor?
E ainda sou metida a aconselhar os amigos. Nisso não tenho dúvidas da minha capacidade, a não ser que seja uma coisa assim, bem grande mesmo. Acho que sou boa conselheira. É só me dizer a situação que já traço um plano de vida pra pessoa. É que de tanto treinar comigo, sei o que pode dar errado ou não.
O problema é sempre eu, o inferno nunca são os outros.
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Blanca Aleks
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